segunda-feira, 29 de maio de 2023

A MAIS BREVE HISTÓRIA DE INGLATERRA




 

James Hawes

À medida que James Hawes avança no tempo, de César até ao Brexit, por entre conquistas, impérios e guerras, tece uma nova e profunda narrativa de Inglaterra. A ilha-fortaleza está dividida por uma linha que é anterior à invasão dos romanos; o seu destino tem estado sempre ligado aos dos países vizinhos, goste-se ou não; e há mil anos que se rege por um sistema de classes diferente de todos os outros no planeta.

Nunca houve um momento melhor para perceber porque é que Inglaterra é como é.

 

O Autor

James Hawes é autor de seis romances. Speak for England (2005) previu o Brexit; foi adaptado à televisão por Andrew Davies. O seu livro mais recente, A Mais Breve História da Alemanha, é um best Zeller internacional. Trabalhou recentemente no documentário da BBC The Making of Us: The History of British Creativity.

 

Edição da LeYa – D. Quixote

quarta-feira, 17 de maio de 2023

O MÁGICO DA LUA

              



Rui Sobral de Campos

Neste romance, breve e vertiginoso, vive-se o drama de um médico enamorado da sua paciente, mortalmente enferma, e a luta inglória da medicina contra o progresso da doença. Rui Sobral de Campos opta por um estilo descarnado e seco de narrativa, apenas ornado, aqui e ali, de pormenores técnicos ou de enquadramento familiar que mais não fazem senão obrigar o leitor a tornar-se, ele próprio, um espectador lúcido da angústia de personagens impotentes.

Os dois principais protagonistas parecem assumir, a princípio, uma pura atitude agnóstica, excluidora de qualquer dimensão metafísica, não enxergando na morte senão uma estrada em direção ao Nada absoluto.
Apesar disso, e é esse o momento mais belo da obra, uma certa forma de redenção é encontrada no regresso ao realismo fantástico da infância corporizado na paisagem encantada da Fonte Benémola, lugar onde aparece o Mágico da Lua, aquele que propicia a realização dos sonhos.

Sinopse

 O Autor

Rui Sobral de Campos é médico anestesista com competência em medicina da dor.
Trabalhou em hospitais públicos e privados da área da Grande Lisboa.


Nota de rodapé

Mais um magnífico livro, que recomendamos, do nosso colega Rui Sobral de Campos, aliás, esta foi a sua primeira obra já esgotada e  agora revista e reeditada.


A. M.


                                                         Editado pela Althum.com

sábado, 13 de maio de 2023

HISTÓRIAS DA VIDA CLÍNICA - 5

 

Haja Deus!

 

O episódio que descrevo a seguir, ocorreu comigo há cerca de quarenta anos na mesma urgência do hospital concelhio, onde vivi solitário outros casos inesquecíveis.  

 

- Haja Deus! – foram as primeiras palavras da doente.

Era domingo, esta senhora encontrava-se tranquilamente a almoçar em casa na companhia do marido, quando ao mastigar um pedaço duro de carne, ficou subitamente com a mandíbula imobilizada e dolorosa, o que motivou a sua vinda imediata à urgência.  

À entrada, apresentava-se com a face assimétrica, de boca aberta sem conseguir falar, babando-se copiosamente e de olhar assustado. A surpresa era grande, pois era a primeira vez que tal lhe tinha acontecido.

O que se tinha passado? A extremidade superior do osso maxilar (inferior) do lado esquerdo, tinha saído da sua cavidade natural, o que provocou um bloqueio da articulação.

Palpei cuidadosamente as articulações dos dois lados do rosto. Naquele hospital não dispunha do apoio de Radiologia. Ponderei rapidamente a situação, e decidi-me por tentar sem demoras resolver ali mesmo o problema – reduzindo a luxação. Ia medir forças com um músculo fortíssimo o – masséter - para restituir a extremidade do osso à sua localização original. Prescrevi um relaxante muscular e um analgésico, esperei pelo efeito e com toda a força pressionei para baixo sobre os dentes de trás, empurrei o queixo para cima, e senti nos dedos o ressalto da entrada do osso na cavidade.

E é quando a doente solta a exclamação com que começo estas linhas:

- Haja Deus! - certamente que não estava a referir-se a mim.

Escusado será dizer que teve alívio imediato e saiu felicíssima com o marido de regresso a casa.

E eu, ainda não acreditava no que tinha conseguido fazer, era a primeira vez que me confrontava com uma luxação temporo-mandibular e resolvia a situação sozinho.

Curiosamente, passados um ou dois meses surge-me outra doente com o mesmo problema e eu muito confiante, não hesitei em tentar a mesma manobra, tentei, tentei, tentei…. e o osso permaneceu imóvel indiferente aos meus esforços, pelo que me decidi pela transferência da doente para a urgência de Cirurgia Maxilo-Facial do Hospital de S. José, em Lisboa.

A isto chamo: a sorte do principiante.

C.F.

terça-feira, 9 de maio de 2023

A HERDADE DO MOCHO





Rui Sobral Campos


“A Herdade do Mocho” é uma obra de ficção, mas que retrata de forma realista o nascimento e a expansão de uma Herdade situada numa das zonas mais pobres e secas do Alentejo.
A Herdade do Mocho vai crescendo ao longo das gerações de uma família, sobrevivendo aos infortúnios quer das personagens, quer do tempo ou dos regimes políticos.
A obra está repleta de personagens fortes, cativantes, bem construídas, que vão passando o legado da Herdade ao longo das gerações; todas acabam por ter um papel importante nas decisões que levam ao crescimento da Herdade e da sua manutenção na família.
O autor não se limita a contar a edificação da Herdade do Mocho, nem tão pouco as aventuras e desventuras dos vários familiares dos proprietários da Herdade, faz também uma reflexão sobre várias temáticas importantes, tais como o racismo, a homossexualidade, relações incestuosas, a mulher forte e determinada, a comunidade cigana existente no Alentejo e toda a população pobre, sem recursos e analfabeta, do Alentejo.
Ao mergulhar nestas páginas, o leitor irá conhecer as várias gerações da família que habitaram a “Herdade do Mocho” e fará uma viagem pela História de Portugal (social, económica e política). No final, ficará tentado a percorrer o Alentejo em busca desta Herdade, querendo entrar dentro das suas portas ansiando encontrar alguma das suas personagens.


O Autor

Rui Sobral de Campos nasceu em 1941 no Porto. Licenciado em Medicina e em História, trabalhou em hospitais públicos e privados de 1970 a 2012.
Publicou quatro romances, entre os quais Em Nome de Meu Pai distinguido com o Prémio Fialho Almeida Ficção 2019 da Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos e A Informadora – Crónica de anos sombrios.
Na sua obra literária, Sobral de Campos procura não deixar que o iníquo Estado Novo caia no esquecimento, visto que as novas gerações, sobretudo as nascidas pós 25 de Abril, têm legitimamente outras preocupações.
Outros temas que lhe interessam têm a ver com as desigualdades sociais que manietam Portugal, bem como a lenta subida do elevador social. A Herdade do Mocho é o seu quinto livro.


                                      Editado  pela Europa Editora


                                  

terça-feira, 2 de maio de 2023

HISTÓRIAS DA VIDA CLÍNICA - 4

 

605 Forte


Com poucos anos de exercício da profissão médica, no princípio dos anos oitenta, trabalhei aos fins de semana na urgência de um hospital concelhio.

O Serviço Nacional de Saúde já criado, estava a dar os primeiros passos na sua implementação.

A equipa da urgência era mínima: um médico e uma enfermeira, e os meios postos à nossa disposição eram rudimentares. A oferta de cuidados de saúde no concelho era pouca, para uma população numerosa com fracos recursos.

Num desses dias de trabalho intenso, quando me encontrava a observar um doente, sou interrompido por uma algazarra vinda da entrada da urgência, e de imediato, a sala onde eu estava é invadida por várias pessoas a acompanhar um jovem muito agitado, que ao entrar no gabinete gritava repetidamente: - Dr.  estou perdido por amor de Deus salve-me a vida, salve-me vida! -, como se eu estivesse investido de poderes divinos.

Não era difícil perceber, pelo cheiro característico que dele emanava o que tinha acontecido: tinha ingerido 605 forte, um veneno muito potente utilizado na agricultura e  pelos suicidas em meio rural. Este produto deixa um rasto de destruição tal nos órgãos por onde passa, para mim só comparável à imagem de uma corrente de lava.

Senti dramaticamente que este jovem não tinha desistido e eu pouco tinha para lhe oferecer, mas tudo faria para o manter vivo. Tenho para mim, desde sempre, que praticar Medicina sem compaixão não é ser médico, será outra coisa qualquer.

Este trabalhador rural tinha escolhido a cabana das alfaias agrícolas da propriedade onde trabalhava para preparar e ingerir o veneno. Assim o fez, e logo se arrependeu e correu a pedir socorro aos seus vizinhos que o trouxeram ao hospital.

O meu objetivo era fazer chegar este homem vivo à unidade de cuidados intensivos mais próxima, no caso a U.U.M. do Hospital de S. José, que distava 40-50 km do local de onde nos encontrávamos.

Além de outras medidas de suporte dirigidas às manifestações respiratórias, era vital estabilizar o ritmo de um coração que teimava em parar. Não dispunha sequer de um electrocardiógrafo. Recordo-me de lhe ter administrado várias vezes atropina para acelerar o ritmo cardíaco e criar as condições mínimas para a sua evacuação.

Chamámos os bombeiros, que ao chegarem nos disseram que tinham trazido a ambulância mais veloz que lá tinham – atingia os 150 Km/h!

À saída pedi-lhes duas coisas: que não se matassem pelo caminho e no regresso passassem lá pelo hospital, para me informarem se o doente tinha chegado vivo aos cuidados intensivos.

A sala onde tínhamos estado a assistir ao doente era grande, mas o cheiro que o veneno deixou era de tal modo intenso que teve de ficar sem poder ser utilizada, com as janelas abertas, o resto do período daquela urgência.

Ao fim de algumas horas, apareceram ao fundo do corredor os dois jovens bombeiros sorridentes.

  - Dr. ele chegou vivo! -  disseram-me felizes. Abraçámo-nos e agradeci-lhes a ajuda que me tinham dado e principalmente ao doente.

Naquela corrida de estafetas contra a morte, tínhamos cumprido a nossa parte.

No meio daquela tragédia, ficaram-me perguntas sem respostas: que sofrimento estaria por detrás de tudo aquilo que vivenciámos? que personalidade era aquela? que razões teriam levado aquele jovem a um gesto tão definitivo, seguido de um arrependimento tão imediato?  

Estes desastres humanos a que os médicos estão tantas vezes expostos, deixam marcas que os acompanham o resto da vida.

C.F.

quarta-feira, 19 de abril de 2023

HISTÓRIAS DA VIDA CLÍNICA - 3

 

O DÉDÉ


No início da década de oitenta e durante alguns anos, trabalhei aos fins de semana na chamada urgência de um hospital concelhio da margem sul do Tejo.

A equipa de serviço era composta pelo médico e pela  enfermeira e os períodos de trabalho eram de 20 ou 24 horas. Numa “boa urgência” eram vistos 50 doentes, numa má perto de 90.

As famílias aproveitavam os domingos à tarde para virem com as suas crianças à consulta. Era um período de grande crise económica e social na península de Setúbal, com fábricas a encerrar a toda a hora e naturalmente muito desemprego e fome. Algumas prescrições que passei foram aviadas na cozinha do hospital, em vez de o serem na farmácia.

E é numa dessas tardes quentes e luminosas, com a sala de espera a abarrotar de gente, em que eu me encontro tranquilamente a observar um doente, que entra pelo gabinete visivelmente assustada, a enfermeira avisando-me que lá fora estava o Dédé * que queria ser visto pelo médico. Desconhecia quem era o indivíduo, mas rapidamente apurei que se tratava de alguém com um passado muito violento, que tinha sido recentemente libertado após o cumprimento de uma longa pena de prisão.

- Se o homem quer ser visto pelo médico, que entre. – disse para a enfermeira, com alguma apreensão. Entretanto, a sala de espera há pouco cheia e ruidosa estava agora vazia e silenciosa, e … o Dédé lá entrou para o gabinete fazendo-se acompanhar de um guarda-costas corpulento, em que se adivinhava uma pistola à cinta. O nosso doente que teria a minha idade, pouco mais de trinta anos, aparentava ser mais velho com cicatrizes num rosto de pele ressequida. A consulta iniciou-se com normalidade, comigo a ouvi-lo com empatia e atenção contar as suas queixas; de seguida passei ao exame físico - mais cicatrizes no tórax - que pela sua localização só poderiam ter resultado de ferimentos superficiais. Recordo-me de ele ter comentado, que era a primeira vez que alguém o auscultava. A situação não tinha gravidade e a consulta encaminhou-se para o fim em ambiente ameno, com a prescrição de um analgésico.

O Dédé reconhecido, não quis sair sem se me dirigir dizendo qualquer coisa como isto: “andam por aí alguns.... que só se não pudesse…. mas os médicos eram uns gajos porreiros”. E concluiu: “se algum dia alguém fizesse mal a mim ou a um dos meus ou me roubassem o carro, que passasse pela leitaria X, que se ele não estivesse lá, alguém estaria por ele que trataria do assunto”.

E lá se foi com o seu guarda-costas silencioso, deixando-me atordoado, tentando adivinhar os dramas que se terão atravessado na vida daquele homem, quanta infelicidade terá sofrido e quanta desgraça terá provocado.

Esta pequena história não termina aqui.

Um ano após este episódio, estava eu num quiosque a passear os olhos pelas primeiras páginas dos jornais, quando deparo com o seguinte título em letras garrafais de um jornal sensacionalista: “Dédé morto a tiro em luta entre grupos rivais”.

E lá perdi para sempre o meu anjo (ou demónio) da guarda, que não queria mais de mim do que um pouco de atenção.

*Dédé - alcunha fictícia

C.F.

sexta-feira, 7 de abril de 2023

LIVROS - TUDO O QUE É PRECISO LER

 

                                      



CRISTIANE  ZSCHIRNT


Um livro que recupera o prazer das grandes obras culturais e as delícias do conhecimento. No centro da nossa cultura estão os livros, que guardaram o saber do Ocidente durante séculos, transmitindo-o às gerações seguintes. Os livros mudaram a marcha da história universal, abriram novos horizontes e disponibilizaram a um vasto público os conhecimentos de filósofos, cientistas, poetas e artistas. Christiane Zschirnt resgatou, do fundo das estantes, uma série de obras imprescindíveis que recolhem o saber do mundo ocidental. Mas não se limitou a elaborar uma lista de livros; pelo contrário, tirou-os da prateleira e expurgou-os do academicismo que os torna menos atractivos aos olhos de alguns leitores. Desta forma, a autora democratizou a cultura, tornando-a acessível a todos. "Livros: Tudo o que é Preciso Ler", apresenta uma série de livros que nos ajudem a compreender a complexidade da sociedade moderna: da Bíblia a Harry Potter, passando por Leviatã; de Shakespeare a Beckett, passando por Balzac; de Camões a Saramago, passando por Fernando Pessoa. Por isso, a autora não os classificou cronologicamente, mas por 15 temas que dizem respeito à nossa vida quotidiana, como o amor, a política, o sexo ou a economia. Em suma, trata-se de uma bússola para navegar no mundo dos livros, com prólogo de Dietrich Schwanitz, autor de "Cultura: Tudo o que é Preciso Saber".

 

A AUTORA

Cristiane Zschirnt, nasceu em 1965 em Bremen na Alemanha. Estudou Filosofia Inglesa, História de Arte e Filologia Alemã em Hamburgo. Doutorou-se em Zurique e é professora na Universidade de Hamburgo. Publicou em 2001 Shakespeare-ABC

 

                                         EDITADO PELA CASA DAS LETRAS

 

sexta-feira, 31 de março de 2023

HISTÓRIAS DA VIDA CLÍNICA - 2



                     Uma Noite de Urgência Infernal    

 

  Um colega mais velho que trabalhava na Maternidade Alfredo da Costa um dia pediu-me para o substituir numa Urgência que  fazia no Hospital de Sintra.

    Tinha um problema familiar a que não queria faltar e ia dizendo que era muito fácil tinha sempre muito poucos doentes e coisas sem importância e era uma grande favor que nos pedia .

     A vontade de ajudar era sempre o que nos movia, ainda inseguro falei com um colega e amigo o Afonso Domingues que aceitou e lá fomos para o Hospital de Sintra que pertencia à Misericórdia, um belo edifício hoje encerrado e em ruínas.

    Mal chegámos percebemos logo que não estava nada calmo, muitos doentes para atender e para complicar a situação eu estava com febre e uma valente amigdalite.

    Tanto doente devia-se ao dia festivo -era dia das Festas de S. Pedro de Sintra.

O pequenote (como lhe chamava o Afonso Domingues) já nos enganou!!

   Naquela tarde/noite apareceu de tudo: traumatismos graves que tivemos que transferir para outros Hospitais, patologias das mais variadas ,bebedeiras ,intoxicações alimentares, foi sempre a trabalhar.

   Para culminar este quadro dantesco já sobre a manhã chega uma jovem já cadáver , tinha ingerido um veneno que na época se usava na agricultura -o 605 forte- ao que nos disseram por desgosto de amor.

    Um inferno naquela Urgência a família em desespero aos gritos até que finalmente chega a hora de sairmos daquele suplício.

    Ficou uma recordação tenebrosa duma das piores noites de Urgência da nossa vida.


                      Para culminar o “Pequenote” nunca nos pagou!!!

A.M.

quarta-feira, 29 de março de 2023

E POR FIM


 




 

Henry Marsh

 

«Trabalhei como neurocirurgião durante mais de 40 anos (…) vivi num mundo cheio de medo e sofrimento, morte e cancro. Mas raramente pensei como seria se me acontecesse o que testemunhei diariamente no trabalho. Este livro é a história de como eu próprio me tornei um paciente».

O neurocirurgião Henry Marsh já estava reformado quando um exame ao cérebro lhe devolve o mais temido diagnóstico: um cancro em estado avançado. Começa aí a sua dolorosa descida do pedestal - o Dr. Marsh, um dos grandes médicos britânicos, é agora um mero paciente. É um caminho que impõe humildade, que convoca memórias de erros passados, que o desperta para o envelhecimento presente, a nua decadência do corpo no espelho.

No entanto, a vida continua. Nos dias bons o médico contempla o mundo lá fora, abre-se à paisagem, à natureza, aos prazeres quotidianos. Reflete na ciência do cérebro, nos seus limites, nas suas possibilidades. E volta sempre à família, ao amor que o rodeia, à mulher e aos filhos, àquilo que permanece.

Nesses momentos E Por Fim já não é uma carta de despedida, já não trata da morte - mas sim da vida e daquilo que realmente importa no final.

Da contracapa

 

O Autor

Henry Marsh estudou Política, Filosofia e Economia na Universidade de Oxford, antes de ingressar em Medicina no Royal Free Hospital de Londres.
Tornou-se membro do Royal College of Surgeons em 1984 e em 1987 começou a praticar neurocirurgia no St. George’s Hospital, também na capital de Inglaterra.
Sobre ele foram rodados dois documentários premiados: Your Life In Their Hands (medalha de ouro da Royal Television Society) e The English Surgeon, sobre o seu trabalho na Ucrânia (galardoado com um Emmy).
O autor é casado com a antropóloga Kate Fox.


Edição da Lua de Papel


domingo, 19 de março de 2023

HISTÓRIAS DA VIDA CLÍNICA - 1

 

 

Todos temos ao fim de uma vida de trabalho histórias para contar umas trágicas outras divertidas e com final feliz ,algumas encerram grandes ensinamentos que nos ficam na memória para toda a vida.

Vamos agora iniciar a publicação de algumas histórias  que nos pareceram dignas de ser contadas, aproveitamos para pedir a todos os leitores para nos enviarem algumas que vos pareçam relevantes.

                                                    Politraumatizado

As Urgências sempre foram fonte de episódios inusitados e quando pensamos que já vimos de tudo eis que aparece uma surpresa.

Numa daquelas noites pesadas em que não paravam de chegar politraumatizados vitimas de acidentes de automóvel, já noite dentro o Cirurgião Chefe da equipa de Banco foi passar visita ao SO.

Um doente Politraumatizado com traumatismo craniano , perda do conhecimento e traumatismo abdominal grave, foi apresentado na visita como um caso muito complicado, estava com agitação psicomotora, discurso incoerente, parecia completamente alheado do que se passava à sua volta. 

Depois de ter enumerado minuciosamente todos os problemas encontrados, o médico que o estava a assistir concluiu – NEM SEI BEM O QUE HEI DE FAZER - nesse momento o doente no meio de palavras impercetíveis diz - Dr. se não sabe o que deve fazer o melhor é não fazer nada.

Palavras sábias que me ficaram na memória para sempre, quando tenho algum caso mais complicado lembro-me sempre deste episódio .

Primum non nocere ou primum nil nocere é um termo latino que significa "primeiro, não prejudicar"

A origem do termo geralmente é atribuída a Hipócrates (460AC-377AC), o pai da medicina, que escreveu que "o médico deve... ter dois objetivos, fazer o bem e evitar fazer o mal".

                                                                                                                                          A.M. 

quinta-feira, 16 de março de 2023

HISTÓRIA DA MEDICINA PORTUGUESA DURANTE A EXPANSÃO

 






Germano de Sousa

 

Sou de opinião que a chamada pequena história, a história do quotidiano, a história de uma ciência ou de um determinado sector da sociedade, torna mais percetível e esclarece melhor a grande História. Sou também dos que se honram da sua profissão e, como tal, gosto de investigar e divulgar o seu passado, seguindo aliás, e com humildade, o exemplo maior de notáveis médicos historiadores que desde o século XIX têm abordado aspetos diversos da história da medicina portuguesa ao tempo da Expansão, como Maximiano de Lemos, Luís de Pina, Augusto Silva Carvalho, Ferreira de Mira, Mário Carmona, José de Vasconcelos e Menezes e outros.

Com este livro procurei fazer uma reflexão sobre o que foi a história da atividade médica e assistencial em Portugal e nas terras descobertas durante um período tão intenso e extraordinário da sua história e da história do mundo, época única na qual o nosso país foi um dos principais atores. Por um lado, saber como era ser médico nessa altura, quais eram a sua formação, os seus conhecimentos e a sua prática. Depois, lembrar como foram e como funcionaram os dois principais hospitais reais de então, o Hospital Real de Todos os Santos e o Hospital Real de Goa, e pôr em relevo a visão de governantes como D. João II, D. Manuel I e D. João III e dos seus conselheiros, que precocemente perceberam a necessidade de criar mecanismos de assistência sanitária que acompanhassem o esforço dos Descobrimentos. Por outro lado, dar um panorama do que foi a «medicina e a doença embarcada» e do sofrimento que isso significou para milhares de portugueses que tiveram a coragem de demandar as Índias, o Japão ou os Brasis. Por fim, descobrir e investigar de que forma participaram os médicos e os boticários na Expansão, e relatar as novas doenças existentes ou vindas das novas terras descobertas e em especial o impacte social de uma delas, a sífilis, a mais terrível de todas.

Da Introdução

 

O Autor

O Dr. Germano de Sousa é especialista em Patologia Clínica. Professor catedrático e diretor do Colégio de Ensino Pós-Graduado da Universidade Atlântica, é diretor do Serviço de Patologia Clínica do Hospital Fernando Fonseca. Conselheiro do Conselho Nacional de Ética das Ciências da Vida, preside à Sociedade Portuguesa de Química Clínica e é sócio da New York Academy of Sciences. Foi professor associado da Faculdade de Ciências Médicas durante 20 anos, fundou e regeu o Curso de Mestrado em Patologia Química e integrou o Gabinete de Estudos Pós-Graduados da mesma faculdade. Nos Hospitais Civis foi diretor dos Serviços de Patologia Clínica dos Hospitais do Desterro e dos Capuchos. Presidiu à Sociedade Portuguesa de Patologia Clínica, à Sociedade Portuguesa de Osteoporose e Doenças Metabólicas e à Associação Nacional de Laboratórios Clínicos. Foi Bastonário da Ordem dos Médicos entre 1999 e 2005.

Editado  pela Temas e Debates


sábado, 11 de março de 2023

HISTÓRIA DA CHINA

 



J. A. G. Roberts

 

Desde o período pré-histórico à ascensão económica dos nossos dias, é aqui traçada a história da civilização chinesa, a mais longa de todas as civilizações do mundo. Uma história complexa que J. A. G. Roberts trata num estilo claro e acessível, abordando em cada capítulo um tema principal.

Começando por referir descobertas arqueológicas recentes que alteraram a visão da história da China antiga, é depois apresentada a história imperial, incorporando novos estudos sobre temas como a posição da mulher na sociedade chinesa, a relação da China com a Ásia Interior, as explicações avançadas para que a China não se tenha industrializado muito antes do Ocidente. Os períodos modernos e contemporâneos são descritos e analisados numa perspetiva muito ampla, com destaque para as Guerras do Ópio, o impacto do imperialismo ocidental, a revolução de 1911, o período republicano e a vitória dos comunistas.

Concluindo com uma apreciação crítica da evolução da sociedade chinesa sob o regime comunista, esta é uma visão atualizada e fundamentada do seu passado no momento em  que a China emerge como a grande potência do século XXI.

Da contracapa

O Autor

J. A. G. Roberts é professor de história na Universidade de Uddersfield (Inglaterra). Leciona principalmente temas de história da China e do Japão, interessando-se de modo especial pela perceção que o Ocidente tem destas duas sociedades. Tem vários títulos publicados sobre a história da China: A History of China: Prehistory to c. 1800 (1996), A Concise History of China (1999), Modern China (2000), China to Chinatown: Chinese Food in the West (2004) e Life in Early China (2008).

 

Editado pela Edições Texto & Grafia


Nota de rodapé

Um bom manual  sobre história da China. FC